segunda-feira, 26 de março de 2012

Iansã




IANSÃ





O céu se prepara para a tempestade.
Relâmpagos, ventos...
Um momento sagrado.
A chuva ainda não caiu, mas um cheiro ácido paira no ar.
A terra agita-se, logo, a água vai desabar.
O dia refugia-se na noite escura, um abraço - Choque de energias.
Noites sem estrelas no clarão do dia.
Fugaz_ O brilho da espada dourada, sustentada pelas mãos do Orixá Guerreira.
Um reinado no espaço sideral, a dama audaciosa quebra o silêncio dos deuses na hora da batalha.  

Iansã





IANSÃ




No peito bate um coração acelerado.
A alma em chamas, corpo vermelho, tom da paixão.
Incandescente sensação.
Essência que não se mistura, pois a chuva o fogo apaga.
Não há um vazio, perturba os sentidos.
Relâmpago energia que explode num leve toque.
Vendavais que levam amarguras, decepções para bem longe...
Dourados é o teu cabelo, assim parece... Creio que roubaste o fulgor do sol...
Ou seria o brilho da tua coroa há desafiar o dia?
És rainha, delicada, uma dama guerreira, da qual estou cativo.
Apaixonei-me, sou um colibri torturado de tanto amar, buscando na rosa escarlate o mel e a razão. 

Iansã





FOGO DA PAIXÃO

( IANSÃ E XANGÖ )





Em meio às tempestades, raios, trovões, uma espada se deteve.
A grande guerreira parou pensativa... Conteve a fúria, olhou as águas cristalinas e do reflexo translúcido tornou-se cativa.
Nascia-lhe no coração combatente, o sentimento, uma nova razão.
Das batalhas pôr instantes olvidou-se.
Havia dentro de si a ânsia de amar.
Encantou-se, atirando-se aos braços do Rei.
Ardente dama, fogo do céu, parceira perfeita, a paixão primeira de Xangô. O Orixá.  

Iansã





SENHORA




Precipitação do tempo quente,
Deslocadas pelo vento sobem as nuvens,
Ar aquecido, umidade do ar,
Frio e quente, chuva à frente.

Relâmpagos, ar em movimento,
O fogo das tempestades.
Primitivo sentido, violento.
Braços estendidos, mãos á frente.

Manifestações e gestos,
Impetuosos, ardentes, para alguns.
Autoritária e absoluta,
A afastar os eguns.

Dança no céu com dignidade,
Uma dama, audaciosa com sua espada.
Vitoriosa guerreira, a Majestade.
Senhora dos Ventos e Tempestades.  

sábado, 24 de março de 2012

Logun edé





LOGUN EDÉ







Uma parte é delicada, frágil e bela como um lírio.
Coração aberto, sonhador.
Poeta de nascimento, ama a natureza.
Nas matas, abraça o pai e nas águas do rio navega seus olhos sobre a beleza da Mãe.
Guerreiro, ágil com o arco e a flecha, não erra o alvo, não perde a sua presa.
A caça é uma arte, fonte de alimentação e não a matança desnecessária. Nas
Florestas, a luz da lua, é o caçador.
Nos rios cachoeiras e cascatas é herdeiro dos preciosos tesouros que a estrela guia lhe deixou.
A união de forças astrais fez-no assim, sensível guerreiro, um Orixá encantado que faz do sonho a realidade.  

Logun edé





LOGUN EDÉ
( OXUM FADELOCY )






Não há na natureza mais beleza do que o azul do céu.
Celeste, a cor dos olhos do infinito.
Tonalidade que vai colorindo as águas dos rios, banhadas pelos raios solares.
Um pássaro encantado plumagem azul com nuances douradas.
Um arco-íris de raras cores, um pavão de asas abertas.
Nas florestas, verdes matas, um vento azul sem fim espalha-se em busca da caça.
Ao cair da tarde, desponta a lua buscando o brilho de uma estrela.
Brilho que nas águas se esparrama, fonte de luz entre cachoeiras e cascatas.
Uma deusa traz nos braços a mistura perfeita.
A doce maternidade de um rio sob o olhar caçador e estrelado da lua.  

Logun edé


Uma estrela deixou sua luz sobre as águas de um rio.
Um brilho que nasceu caçando sob a claridade da lua.
Espalhou-se pelas matas, cortou o infinito de flechas e mergulhou em sonhos dourados.
Meus olhos perdidos buscavam os seus. Encontraram-se quando fitei o céu e a primeira estrela surgia.
Percorri florestas tentando sobreviver às lutas diárias, onde o caçador vencedor é aquele que mata pôr prazer.
Desafiam a natureza, pois não sabem quem é o rei.
Pai és um pássaro azul que captou a energia dos astros, a transparência das águas e transformou-se em essência.
Sua presença, um perfume de lírios que acompanha os meus dias de mortal.