terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Caboclas





CABOCLAS


Flores que nascem e crescem com viço eterno.
Jasmins, lírios, rosas... aroma de mulher.
São estrelas que nos guiam para um novo crepúsculo.
São pombas, faisões, colibris... Almas maternais.
Um mundo de árvores, raízes, fecundações e água doce - Mel das flores.
O vento espalha as plumas, flechas cortam o tempo num vôo azul.
O que há na beira ou nas águas do rio, além de pedras?
Sereias, Ondinas, Iaras... Caboclas das águas.
Entre as florestas. A exuberância colorida dos penachos surge como pétalas.
Jurema, Jupira, Jussara, Jacira, não importam os nomes, cada um tem a graça e a cor da flor abençoada.
Caboclas guerreiras e meigas sereias.
Nas águas ou em meio das matas, são elas a mais pura emanação da força e da beleza indígena.
Índias que lutam , pescam e caçam , deixando no caminho o espírito das flores, a liberdade dos pássaros e a luz da estrela guia.

Pele Vermelha



PELE VERMELHA



Um índio padeceu depois de tantas guerras.
Defendeu sua tribo como um animal feroz.
Reverenciou a lua e o nascimento do sol.
Descobriu os mistérios do vento, o movimento das flechas e fez da fumaça as suas palavras, teve seus momentos de extrema poesia quando fitava as matas e avistava uma delicada flor.
Suas mãos tocavam-na e dos olhos lágrimas brotavam.
Aquela branca flor era a representação de sua fé.
Por isso, ainda hoje, esse índio é conhecido como
Pele Vermelha de Jesus de Nazaré.

Caboclo Girassol




CABOCLO GIRASSOL


A noite o astro rei impera , uma luz que nunca se apaga, um galho de
girassóis , flores frente ao sol.
Na mata escura o amarelo brilha .
Rompe o dia...
Gira o sol , movimento circular , cobrir a terra de sementes-esperança infinita de paz.
Penas , penachos , flechas cruzadas , um grito de guerra .
O mundo iluminado , o sol sempre brilhará.
Gira o sol , Girassol.

Zé Pilintra




ZÉ PILINTRA



Terno branco alinhado, bem passado.
Chapéu, lenço vermelho no pescoço.
Gravata, sapatos lustrados, um toque de encantamento.
A boêmia, sua companheira, mulher das noites enluaradas.
Um cavalheiro de boas maneiras, moço de fino trato.
Quando sai para trabalhar quebra os embaraços com um sorriso vitorioso.
Força grandiosa no Umbanda, o Mestre Zé Pilintra.

Baianos




BAIANOS




Da África os negros trouxeram a fé nos Orixás.
Baianos cheios de crenças tornaram-se espíritos de luz , força positiva na Umbanda.
No pelourinho ... Olha os balangandãs , a saia rendada baiana , o tabuleiro de acarajés da Maria da Fé.
Olha o chapéu de couro , a batida de coco...

Valei-me Senhor do Bonfim !
No agreste , a lei era a faca , Severino Cangaceiro do bando de Lampião.
Valei-me Nossa Senhora do Desterro!
Olha o baiano Limoeiro , o chefe do terreiro .
Valei-me Nossa Senhora do Desterro!
Salve o povo da Bahia!  

A voz das águas




A VOZ DAS ÁGUAS
(Oxum)



Reflexos... Brilhos coesos, lua e estrela arrumam-se todas as noites no grande espelho.
Cachoeiras, cascatas, véus da natureza.
Eterna noiva prepara-se a todo instante, para um novo ciclo humildemente cumprir, submissa ao seu curso segue sua sina, tranqüila.
Poder da renovação brota as sementes, verdejante paisagem.
Silenciosa faz a mutação, orvalho, neve, gotas de chuva, vapores... Da ascendência ao porvir.
Odores marinhos__ O grande oceano de braços abertos a espera da doce e transparente viajante.
Águas obedientes que não podem expressar-se, podem apenas nos ensinar sábias lições como um cântico sagrado, um hino à fecundação.  

O poder dos oráculos


O PODER DOS ORÁCULOS


Os oráculos são muitos... Vidência, dons espirituais.
Jogos de adivinhação, opelê de Ifá, os oduns, os búzios a falar...
Passado, presente e futuro estão em nossas mãos.
Baralho, cartas abertas, o destino pode ser alterado, basta em tua alma cigana confiar.
Runas, Tarô magia das pedras e cristais, essência da natureza, da vida e da saúde a zelar.
Anjos, pureza, flores e incenso, caminhos da paz.
Números, tempos, horas, dias, meses, anos, confirmação da Ciência da Numerologia, exercendo influência na existência de cada ser.
Onde está o poder?
No coração daqueles que possuem uma missão.
Um pequenino reflexo, um grão de areia que o Criador entrega a todos que aceitam trabalhar em prol de seus semelhantes.
Um tesouro almejado por muitos, mas somente o recebem aqueles que tem merecimento.  

Ibejis - festa na natureza



Pepitas de ouro , Favo de mel , Bonequinha , Cachinho dourado, Folhinha dourada , Trancinha de ouro , brincam nas águas do rio , enquanto Borboletas sobrevoam num balé ousado, delicado.
Espadinhas cortam o tempo , desaba uma Chuva de prata.
Tem Pérolas dentro da caixinha de jóias da Baronesa. Nuvenzinha esconde Estrela de um trovão .
Palhinha molhada corre ao encontro de Clarim que tocava uma melodia para encontrar Mussurana.
Após o temporal, Princesinha da mata com Trancinha de fogo, surgem como Fadinhas, uma Chaminha de esperança.
Catam os rouxinóis , Bem - te- vis, Colibris... O Pavão exibe suas plumas , um Raio de sol a iluminar a alma.
No céu nuvem de prata sorri ao recolher as flechas arremessadas por Xororó

Lírios do campo com Gotinhas de orvalho cobrem o chão e General sonha em encontrar a Estrelinha, Sinalzinho de um futuro melhor.
Nas terras de Calunguinha o silencio é quebrado ... Ouçam o Xauru assustado um albatroz num toco onde estava Cupim.
Crianças sabidas, Ibejis os mensageiros da alegria.  

Anjos









Daqui do meu lugar, um pedacinho de chão, ouço um conjunto de cítaras e harpas entoando baladas celestiais.
Pequeninas e iluminadas criaturas , crianças com rosto angelicais , faces rosadas e madeixas que caem com raios de sol.
Meigo sorriso , as portas do paraíso.
Um caminho feito de plumas brancas que a visão encanta.
A felicidade, cristais, fulgurante paisagem, eternos habitantes do reino do céu.
Anjos ,a luz da paz tão ansiada no coração dos mortais .  

O poeta e a estrela










Em uma noite vagando só pelas calçadas, chorei.
Um pranto que a chuva fina escondia.
Caminhava sem direção, fitando praças, viadutos, automóveis, prédios, casas, antenas de TV, ruas coloridas pôr placas luminosas...
Odores diversos, suaves primaveras, tulipas, margaridas, capim molhado misturando ao cheiro do lixo, restos, detritos.
Trágica figura, um fantasma a perambular em busca de guarida...
Coração apertado, um nó que a gravata insistia em desmanchar.
Até quando iria rumar sem ideais? Permitir que o sofrimento tomasse conta do meu ser?
Abri os braços e de repente senti que tinhas asas, levitei pôr um tempo e de cima pude resgatar algumas lembranças: a vida boêmia, ébrio todos os dias, sócio de cada bar, mulheres fúteis, vida inútil.
A chuva cessou e uma luz mostrou que havia novos caminhos, outras estradas.
Um anjo azul exalando sândalo surgiu oferecendo-me as mãos.
Em seus olhos havia estrelas, sorriso sereno, imagem da determinação.
Depois desse encontro não sou mais um tijolo, um espinho; sou alicerce, aroma de flores. Um mortal consciente, um poeta que dedica versos singelos para uma deusa que rompe todos os dias, á minha mãe, Estrela Guia.

ìndios




Gês, Tupis - Guaranis, cariri, Aruaque...
Índios do meu país.
Tabas, ocas. Moradia da sabedoria.
Jaci, tupã, deuses da aruanda.
Catequizados pelo homem santo, descobriram o Deus dos brancos.
Aprenderam que a luz maior é aquela que criou a natureza.
Porém, foram quase extintos...
Hoje é minoria, expostos os flagelos e enfermidades.
Pobreza, o verde deu lugar ao asfalto. A caça, a pesca, o plantio deixaram de ser a arte da sobrevivência.
Vivem agora, em casas de tijolos, com aparelhos capazes de transmitir imagens. Cenas recriadas de guerreiros em meio as batalhas.
Outros se entregaram a marafa e usam trapos.
Índio brasileiro és lembrança, quando deveriam ser respeitados. Em nosso sangue corre a tua herança.  

Navio Negreiro




NAVIO NEGREIRO






Embarcação ao mar, redes de esperança lançadas ao vento.
Navio negreiro, canções e devaneios.
Velas no tempo, retrato do passado, a liberdade.
Liberdade a luzir nos olhos negros de um temporal.
As aves circundam a nau em busca do alimento. Brancas plumas há paz na escravidão.
O peso das correntes, ferro fundido em elos de união.
São tantos negros, não há solidão.
São tantos deuses a lhes guiar, haverá um amanhã...
O negro se levantou e no seu dialeto gritou palavras que ecoaram pôr todo o universo-
Minha alma é livre, sou natureza como o meu Orixá, nasci livre e assim permanecerei!
Odoyá, Yemanjá!  

Abiã




A B I Ã






Inocente puro um espectador que procura compreender tantos mistérios.
Um coração que anseia, pulsa em uma busca.
Uma procura incessante que se inicia pelo auto conhecimento.
Viajar pelo seu próprio interior, descobrir, assumir-se.
Tantos receios e dúvidas pelo caminho, mas um abiã nunca está sozinho.
Alça vôos, pensamentos lançados ao vento, distribuindo um a um ao infinito.
Nas esferas superiores, os mestres passam as lições e ele é testado em muitas situações.
Quantas provações!
Tempo de aguçar os sentidos.

Depois de tormentas, a paz gera elevação espiritual, vibração ou incorporação.
Um abiã não deve esquecer-se jamais dos princípios básicos, humildade, fraternidade. A chama da caridade deve permanecer sempre acesa no coração. Ele é um instrumento que não pode oscilar.
O diploma dependerá das atitudes, de pequenos gestos, da fé do amor e a vida se encarregará de entregar.  

Aos orixás




AGRADECIMENTO AOS ORIXÁS

Somos grãos de areia que o vento äs vezes muda de lugar,
mas regressamos de uma maneira ou outra ao ponto de partida.
Somos a poeira que levanta, o pó é a terra, a origem, se
nos perdermos sempre voltamos äs raízes.
Horas, dias, meses, existem somente para que saibamos:
Somos humanos, mortais.
Muitos se esquecem e passam pela vida sem perceber tudo
aquilo que vocês representam.
Criar uma imagem, dar-lhes um rosto, é apenas uma homenagem
que nunca os expressará realmente.
Vocês são infinitamente mais belos e a visão de quem os ama
pode alcançá-los em qualquer lugar.
No brilho de uma estrela, na lua mutante, nas águas mansas de
um rio resvalando em pedras e caindo por entre cachoeiras, nas
florestas, nas verdes matas, no canto sonoro de um pássaro, no
pousar sereno das borboletas, na imensidão do mar...
Em tudo o que nos cerca e conhecemos como universo e que eu
prefiro chamar de planeta natureza.
Natureza é perfeição, são todos vocês e mesmo que não possamos
ver os seus olhos, sabemos que estão e sempre estarão presentes.
Obrigada a todos os Orixás, pois deram-me a oportunidade de
enxergar os pequenos detalhes que fazem do meu viver um
caminho de esperança.  

Tempo




ORIXÁ TEMPO

O que passou não voltará.
Foi como um vento calmo ou
violento, passou...
Houveram batalhas, espadas, facas
e flechas, mas houve paz...
O sol brilhou, a noite surgiu, a
chuva caiu...Incessante mistério,
tempo.
Um calendário, tempo que se foi,
alterou o presente e permanecerá.
Tempo que marca, deixa cicatrizes,
que lava a alma depois do sofrimento.
Um amigo nas horas difíceis, parceiro
nos desafios e companheiro da alegria.
Não posso detê-lo, mas sei que estarás
ao meu lado quando o tempo de existir
cessar.  

Ibejis







Pepitas de ouro brincam nas águas do rio.
Borboletas sobrevoam num balé delicado, ousado.
Espadas cortam o tempo, desaba uma chuva de prata.
Jóias de coral, pérolas, dentro da caixinha misteriosa da Baronesa.
Tantas princesas com cachinhos dourados, meninas delicadas.
Fadas que surgem no crepitar do fogo, uma chama de esperança. Cantam os rouxinóis, bem-te-vis, colibris... O pavão exibe as plumas, um raio de sol a iluminar a alma.
No céu, uma nuvem de prata sorri ao recolher as flechas arremessadas ao vento.
Enquanto os deuses governam, a natureza faz festa todos os dias.
Crianças sabidas, travessuras cheias de lições.
Ibejis, os mensageiros da alegria.

Ibejis






BORBOLETA







Antes de criar asas era apenas uma lagarta a rastejar pelos jardins.
Sonhava com a liberdade dos pássaros, queria voar e não podia...
Ansiava tocar as flores, tantas flores e cores...
Queria viajar pelo infinito, quem sabe atingir o azul celeste de um céu celestial.
Foram tantas as súplicas... enfim houve a transformação.
A borboleta, um lepidóptero belo, nasceu um dia festivo.Nas mãos da deusa da beleza, deu-se a coroação da criaturinha adorável.
A primavera encantada da orixá guerreira, que não usa somente a força da espada, tem um coração repleto de sensibilidade e paixão.

Ibejis




ESTRELINHA




No céu nasceu uma estrela.
A rainha da constelação a fez tão pequenina e com um brilho intenso. Ofusca a visão, minúscula mais muito sábia.
Era um azul indescritível no firmamento.
Uma estrela que surgia para brincar entre as nuvens de algodão, desenrolar fios prateados da lua e esconder-se atrás do sol.
Um anjo vestido de luz a guiar nossas vidas.
Baixar nas águas, felizes momentos de um banho de espuma, escorregar nas cachoeiras e imitar as sereias.
Mamãe Oxum muito orgulhosa, afinal era o seu próprio reflexo, deu alma de menina aquela Estrelinha.

Oxalufã







O universo vestiu-se de branco.
Branco das nuvens do céu , do algodão ... da farinha que faz o nosso pão.
No revoar de brancas pombas , uma traz no bico um raminho chamado paz.
A criação , nosso pai , sustenta seus passos com um cajado , num lento caminhar.
Vai de cidade a cidade , de casa em casa , nosso lar, silencioso a nos guardar.
A luz que cobre o mundo de pureza é seu bondoso e terno olhar.
Lâmpada eternamente acesa , iluminando a consciência humana, com suas humildes porém sábias palavras .
O barnco é o símbolo da supremacia , grandeza , beleza e evolução.
A força poderosa na natureza.

Oxaguian




OXAGUIÃ



Para Alademin





Entre a guerra e a paz as cores diferem-se : Vermelho e branco.
A espada não significa a morte, pois esta foi enganada.
O escudo é o amparo ,as derrotas existem mesmo depois de muitas lutas.
Um guerreiro vence sem precisar derramar sangue.
A brutalidade não faz parte de sua rotina.
Defensor dos injustiçados , ensina-os a amarem-se mutuamente.
Um príncipe vencedor de demandas, cobre-se de branco , uma pomba que voa, levando nas asas a esperança de paz e harmonia.
Um mundo melhor.
E num gesto de carinho , pousa deixando- nos a semente de uma flor que desabrocha no solo onde exista amor.  

Oxaguian




EU SOU ...




A juventude , os anos bons , a alegria no sorriso de cada criança - uma pomba.
Um coração aberto , os brilhos das luzes que a natureza te oferece.
As plantas verdes , as flores de fragrâncias imutáveis .
O sexto sentido , passaporte para outras dimensões.
O alimento, a vida ,a morte e a ressurreição.
Fragmentos , as partículas de energia .
Rochas , montes serras e cordilheiras.
Indizível , indivisível e invisível .
O único que pode estar em todas as partes: no céu , na terra , no mar. Sou também fogo e ar .
Se a sua fé pode alcançar a essência do meu ser , sinta-se preparado , a sua missão apenas começou.  

Ewa





Raras são as mulheres que tem consciência ...
A lucidez rasteja em círculos sempre próxima a loucura.
As águas são os cristais que transportam as imagens da realidade.
Serpente são as asas da maldade.
Cobras , animais peçonhentos , cujo veneno pode ser letal ou a cura para todo o mal.
O leite que gera a vida cai como neve dissolvida pelo calor que assola a alma.
Branca noiva da noite , teu leito é o ninho onde as estrelas captaram o azul ... a luz nupcial dos olhos de uma deusa.
Arco-Íris coroa que a mulher só recebe se o Criador julgá-la digna.  

Ewa






Quando o arco-íris desponta, o céu recebe uma coroa.
Um reinado de magia.
Nascem as cores pintadas pôr mãos sagradas.
Um azul captado das estrelas , os olhos de uma deusa.
O mistério - Depois da chuva , a fundação cai como flechas numa selva de raízes sobre o instinto maternal dos rios .
Um raro momento de beleza , a mulher para ser rainha na natureza , precisa ter consciência...  

Obá





Princesa, dizem que seus olhos são determinados e tem a força de um trovão.
Fixá-los não me atreveria, poucos podem compreendê-los, há tanta lucidez e perdição.
Sacrifícios , sangue quente a verter como um temporal de verão .
Insensato coração, um cavalo galopando sem as rédeas da razão.
Aprisionaste o meu sentimento , sou agora um pássaro sem asas.
Na luz do teu olhar voarei eternamente , somente para a tua imaginação.  

Obá






Rosa escarlate , delicada , fragrância suave.
Pétalas iluminadas , expostas ao orvalho como uma princesa.
De seu caule altivo brotaram os espinhos.
Tão linda e perfumada a ferir corações.
Incompreendida , frágil , fez da espada a defesa, guerreira.
Não permitiria que mãos insanas no ímpeto de obter a mais bela flor , podassem o seu destino.
Mulher valorosa , consciente de sua missão e dependo da ocasião , expõe os espinhos , até encontrar o ponto de consenso , o nascimento da razão.
O que passou permanece na lembrança e antigo é um tempo que não voltará , foi esquecido.  

Obá








És entre tantas flores a mais delicada.
Delicadeza que deve ser tratada com muito cuidado , pois os espinhos podem ferir profundamente.
O perfume , deve ser inalado na medida justa , caso contrário pode entorpecer os sentidos .
Mas, sou tão teimoso e nos teus olhos fui me perder.
Abracei tuas águas como se fora meu único refúgio e naufraguei em sonhos que despertaram minha consciência.
És princesa guerreira, uma deusa e eu sou apenas um beija-flor á espera do teu amor.  

Nanã Buruquê





Mergulhei meu corpo em suas mãos, expondo meus segredos no silêncio das águas.
Vaguei nadando horas a desfiar o tempo, um embrião no ventre.
A morte esteve tão próximas inúmeras vezes, a provocar-me calafrios.
Passaram-se tantas existências, tantas eras, mas o rio permanece...
Um enigma de olhos azulados, profundos.
Regressei porque sua maternidade assim o desejou.
Percorri o meu caminho e voltei a suas margens, esperando que suas sábias mãos
 acolham-me novamente e preparem a minha alma para outras reencarnações.  

Nanã Buruquê









As águas doces, após a chuva transbordam do leito.
Trazem a tona da profundidade, a sabedoria.
Irrigam o solo, terra roxa que abriga nossas raízes. Depois do temporal, a lama, o barro deslizam decisão...
Firmeza escorregadia...
Arrependimento , sentimento intocável como poeira.
Amar aquilo que é perfeito não nos torna mais puros de coração.
Deixar brotar na alma a semente do perdão é a grande lição.
A vida , a morte , o renascimento , um ciclo interminável .
Respeite o seu semelhante , se somos imperfeitos e sofremos de tantos males , a cura só virá da paz e do amor fraternal.  

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Lua e estrela (Oxóssi e Oxum)




LUA E ESTRELA


A lua assume a noite.
A escuridão não irá dominar, há luz no espaço sideral.
Vagueiam as sombras, as nuvens negras.
A guardiã eterna brilha mais intensamente.
Trevas, profundezas, nunca vencerão.
Lua se pudesse entender a sua magia...
Se pudesse perceber que o brilho de que emanas é apenas
o reflexo do seu grande amor... Amor por uma estrela
que habita na luz do dia...
E as fases que atravessas nada mais não que a tentativa
de aproximação, és mutante de tanta paixão.  

Previsível amor (Oxóssi e Oxum)




PREVISÍVEL AMOR
OXÓSSI/OXUM



Do astral trasbordou o sentimento.
Derramou ondas de ternura, um véu.
Uma chuva foi levada pelo vento.
Lágrimas verteram das nuvens do céu.

Excelso, vivaz, real semeadura.
A terra preparada, solo fértil.
A meiga flor recebe a opulência.
A eternidade no espaço zenital.

Previsível amor entre deuses.
Um encontro marcado, cintilante.
Fusão de essências em êxtase.
A estrela com a lua crescente.

Um rio, doce água feminina.
Do alto uma visão celestial.
A rosa vestida de noite azulada.
Recebe o pássaro, o vôo madrigal.  

O Caçador




O CAÇADOR





Um caçador desceu da nave lua, vestido de azul celeste, como se fosse uma pequena parte do céu.
Veio de tão longe, onde o canto dos pássaros soa como balado matinal. O paraíso.
Percorreu os campos férteis, derramando as sementes - agricultura - deixando-nos a fartura.
Não modificou nossa geografia, tornou-se a mais verde e próspera.
Um caçador?
Como poderia, o verdadeiro caçador mata sem alterar a procriação dos animais.
Não o faz para extingui-los, apenas nos ensina outra lição:
Abater a caça o suficiente para nos servir de alimentação.
Guerreiro de arco e flecha,
Baixem seus olhos de caçador sobre nós, filhos de um mundo onde a fome sem piedade nos mata. Onde a fraternidade inexiste e não passamos de simples presas para aqueles que trazem no peito um coração batendo em ritmo de ambição.  

Enlace (Oxóssi e Oxum)





ENLACE
OXÓSSI/ OXUM




A estrela uniu-se a lua.
A constelação turquesa recebe uma grinalda prateada.
A luz nupcial!
O silêncio do vento é cortado por flechas.
Cai a chuva num dia de amor. A transbordar um rio.
As asas do dia abraçam a noite.
Ergue-se no céu uma espada e nos olhos da lua cumpre-se o matrimônio.
Na terra, nasce uma rosa, a mãe feita de raízes, folhas e perfume.
O colibri, um cometa, paira no ar...
A beleza da deusa flor o encanta.
Um casamento - a rosa é desposada pelo beija-flor.  

Oxóssi





Não posso abraçá-lo como gostaria.
Olhos as matas, as verdes matas... Sei que ali você está.
Meus olhos fitam a imensidão de folhas balançando, são como um aceno...
Vejo as árvores embalando ninhos de pássaros de diferentes espécies e cores, brancos, pretos... E não posso estar em seus braços.
Queria tanto ser um pássaro...
O silêncio é seu companheiro, a caça é o seu ofício.
Ás vezes, gostaria de ser a presa, aquela que não fugiria assustada. Aquela que correria em sua direção .
Talvez, se eu fosse um pássaro...
A noite emudece as florestas, o adormecer dos deuses que se cobrem com um manto prateado.
Se pudesse, voaria pelo céu ao encontro da lua.
Se eu pudesse ser pássaro, faria um ninho no seu coração, mas sou apenas humana, uma filha que te ama.  

Oxóssi






De Ikijá vem a lenda - Um caçador tornou-se rei.
Vem dançando o aguerê, percorrendo nossa história, o meu viver.
Senhor Inlê!
Mata dentro, mata fora, corre pelas florestas agitando o iru kerê, limpando os caminhos para boa caça nos oferecer.
Pegue sua arma, o ofá, poderoso senhor das Veredas, meu Orixá. Traga-nos a melhor caça na ponta da sua flecha.
Abundância, Senhor Ibualama!
Soprem o ogê, vamos comemorar! Louve o caçador que garantiu a alimentação, a fartura.
O Rei de Ketu!
Missão cumprida partiu para outras matas, outras caçadas, lá na Aruanda, onde a fonte de luz divina derrama o azul celeste, dando forma humana a um deus, o caçador humilde e sincero, Oxóssi.  

Ogun








Metal reluzente, aço.
Nos campos de batalhas onde o verde cede lugar ao sangue, uma espada levanta-se ofuscando o brilho do sol.
Vitória pelas estradas, novos caminhos, outras guerras...
Uma coroa espera o vencedor, o rei de tantos corações.
Tantas deusas desfrutaram dos braços fortes do guerreiro.
Guerreiro, ferreiro, inovador.
Houve o tempo do esquecimento, as glórias pareciam não terem existido.
Mas as lembranças ressurgem e ninguém mais se olvidou em canto algum,
 por isso em todas as lutas pedimos a ajuda do Orixá Ogun.  

Ogun








Tudo era madeira, palha.
Surge um brilho intenso. Luz do aço, facas.
Início de outros tempos...
O arcaico rebela-se, tormentas. A esperança sorri _ Novas idéias. Do ferro criam-se as ferramentas, para o plantio em terras sadias.
Rotina alterada, as estradas. No céu, pássaro metálico, no chão, as batalhas.
Madeira, palhas... Um incêndio.
Inimigo tombado - á vitória.
Uma canção eterna rompeu o dia. Trigo, espigas, a colheita. Nas mãos dos guerreiro-a glória.
Metal fundido em espada - o coração, golpeando o passado, um valente, como quem peregrina na retidão.
Ogun, ontem, hoje, sempre...  

Veludo









Na mata virgem, onde o orvalho se esparrama cobrindo o verde houve a presença da noite escura com um manto de veludo.
Foi tão suave, com um perfume insólito, brilho coeso, perfeita harmonia entre mananciais, terra e ar.
Negro olhar de uma lua oculta num céu de pensamentos infinitos.
Universo, o habitar de estrelas e planetas, astros governantes. Espaço de maciez e espinhos, fogo e água, terra e pedra, flor e ar.
_ O veneno e o mel, o mal e o bem, mutação constante, o embuste e a verdade. Intrigante sensação, sentir e não perceber passos tão mansos da noite aveludada sobre um dia tão decisivo.
A escolha do caminho correto está no coração. O destino sopra o vento que faz as folhas mortas caírem serenas, pois já cumpriram a sua missão... Ou desaba temporais que arrancam as árvores com raízes, extinguindo definitivamente qualquer oportunidade de vida.  

Um Guardião





Nas estradas andei perdido, percorri as trilhas em busca do meu Eu.
Fiz tantas viagens inúteis, sem rumo.
No caminho tantas mãos pediam auxílio, ignorei-as afinal Eu também precisava de ajuda.
Poderia ter encontrado, mas no meu coração não havia espaço para o amor e era Eu o necessitado.
Chorei sozinhas as amarguras que construí com o meu egoísmo.
Nunca regressei ao lar, não havia braços abertos a esperar-me. Para onde voltar se não fiz o meu ninho?
Cansado de sofrimento que causei, entreguei-me ao vício, a maneira perfeita para dar um ponto final em minha existência.
A grande fuga.
Passei com facilidade para a outra dimensão e que grande surpresa - continuei a sofrer.
Houve uma luz, não posso precisar quando, resolvi então segui-la.
Abri finalmente a porta dos sentimentos bons e descobri que vivi sem saber que Deus existe.
Hoje, sou um iluminado, o seu Guardião.  

Aurora





AURORA


Amanheceu... O orvalho despertou-se por entre pétalas, lágrimas caíam das flores, gotas de alegria.
No céu... A estrela matutina despontava um colorido sutil, indescritível dourado.
Pássaros alçavam vôos num gorjear contagiante.
Nascia um novo dia...
Dia de magia, a plenitude, o despertar.
O amanhecer é o princípio, a esperança, á cada noite finda outra luz há de surgir.
Os sonhos de outrora podem realizar-se agora, confie em sua alma cigana.  

Meia Noite





MEIA-NOITE



Plumagem da negra noite que cai sobre o dia, num vôo rasante.
Rompem-se as horas, o tempo para sobre um signo da Cabala.
A claridade do universo é abraçada por um manto.
Espaço da sagrada ave, detida para o reinado ao badalar do relógio- Meia - Noite.
A escuridão de invisível olhar, voa na magia de outro dia que certamente chegará.
A aurora da esperança, onde o brilho só se apagará quando o infinito cerrar os olhos no negrejar final.  

Sete





SETE






Sete Encruzilhadas, Sete Facadas, Sete Porteiras, Sete Saias...
Números de decisão, sem meio termo, ímpar na soluçaõ.
Sete também é razão, a ascendência.
São caminhos, portas a serem abertas na escuridão. São oportunidades, as facas podem atingir o alvo, o bem e o mal estão em suas mãos.
Tente abrir o coração.
O alvorecer pode proporcionar esperança.
Deixe amanhecer dentro de seu ser.
O sol pode surgir brilhar em qualquer momento, basta querer.
Na alquimia que transforma noite em dia, existe um poder: a luz nas trevas.

O parceiro da criação




O PARCEIRO DA CRIAÇÃO


Horas de um tempo sem tempo.
Meio- dia, meia - noite...
Da brasa, fagulha do sol ao húmus, ou do fungo sombrio na floresta, vem o desenvolvimento, o alimento, a vida.
Os golpes das correntes despertam.
Não entrem as cegas para a vida, não feche os olhos, não mergulhe baixo em profundezas de catástrofes.
Você regressou dos mortos, subiu as escadas, degrau por degrau, uma semente que a terra germinou e que para a terra retornará.
Eu sou o nimbo, as gotas puras de orvalho, a rosa flor dos ventos, o escarlate sangue vital do universo.
Vá agora, o dia esta cheio de vulcões em erupção, mas saia livre, pois junto contigo vai a minha força, a minha mão.
Não se sinta sozinho na escuridão, sou luz, energia que atravessa o silêncio das trevas.

A morte, as sombras, pode tentar esconder a semente, mas ela sempre brota na terra.
Da morte renascemos para a vida eterna.
E renascerão inúmeras vezes, retirando as impurezas e haverá outros tempos e outro dia de um tempo de evolução.  

Xangô







No palácio onde impera o rei dos astros, correm águas cristalinas.
Muitas foram às rainhas, mais somente as mais guerreiras possuiu seu coração.
Rei justiceiro, através do raio atira a bola de fogo, dança o alujá, inimigo derrotado, malfeitor castigado.
O fogo emanado de seu corpo é também o símbolo de sua paixão.
Forças da natureza, os ventos sopram com tanta violência,
fazendo as nuvens chocarem se. Formam-se os trovões os raios,
as tempestades.
A justiça após longas batalhas cai do céu,
enquanto o Rei Xangô abraça a sua amada.  

Xangô







Quando surge um temporal, os trovões rompem o céu.
Um fogo que emana no espaço sideral.
Chamas da justiça a punir mentiras, intrigas...
os raios atingem a meta.
Na terra, a chuva cai lavando a alma.
Uma rajada de ventos ecoa em meio às pedras.
Os astros permanecem na obscuridade em respeito à majestade.
Claridade, transparência de atitudes dignas que só ressurge após
vencerem-se as batalhas.  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Omulú




OMULÚ


Sou a origem, as raízes, a terra. O barro que é produzido depois da chuva.
A argila, a massa, os minerais.
A criação que do pó ressurge, fixa e volta a ser pó.
Sou feito de peixes, escamas, crustáceos, odores marinhos e fumaça.
A névoa, o orvalho, a brisa, são a paz germinada.
Muitas foram as dores que reuni e no meu esconderijo invisível, vi a miséria, as traições, o ódio. A terra parecia vencida.
Séculos de solidão em meio às palhas que cobriam as feridas. Houve então uma voz que atravessou o tempo, os túneis da escuridão.
Chamou-me: -- Pai, olhe por nós!
A terra, o mar... Voltaram aos meus olhos e hoje caminho longamente pelo mundo, a espera de uma outra voz a clamar pela paz universal!

Obaluaê





OBALUAIÊ


Percorri os caminhos, longas jornadas, em busca de amenizar os sofrimentos.
Os meus, os seus e poucos entenderam.
A minha imagem lhes causava espanto, medo talvez.
As chagas consumiam o meu corpo, um lamento.
Esconder as feridas, cobrir os olhos com palhas.
De palha fiz o meu manto.
Sofri de solidão, de abandono maternal. Filho rejeitado sem legado.
Houve uma mãe, por ela fui criado; ela me amou mais do que a si própria
pois viu em mim o reflexo de sua beleza.
Por isso sou terra, mar e ar. Sou a natureza, o início e a duração.
Minhas raízes estão cobertas e a sua visão só poderá alcançá-las
quando o seu coração abrir-me as portas.  

Obaluaê


OBALUAIÊ




Da terra tudo renasce.
Germinam as sementes, crescem os campos.
Mãe que ampara as águas da chuva para o ciclo incessante dos rios continuarem.
Terra que zela para a vida humana prosseguir.
Guardiã de nossos ancestrais, fonte de nossa ascendência.
Terra pura de vem a cura para tantos males físicos e espirituais.
Terra nova a cada estação: seca, úmida, molhada, fertilizada - Plataforma de meus pés, meu chão.
Solo verde de arvoreados que nos traz a madeira, as palhas...
Aquela que se doa totalmente, que nos devolve renovado tudo que foi utilizado.
Mas, não nos deixa ver seus os olhos jamais!  

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Oxumaré






A chuva foi pintada pelo espectro solar.
O arco-íris surgiu com um brilho intenso.
O azul mostrou os olhos marejados de lágrimas.
Água derramada sobre a terra seca, nasce um rio.
Agradecido corre manso e doce ao encontro de outro, que já o esperava de braços abertos.
Insatisfeito, foi desaguar no mar.
O chão é tatuado como se fora o corpo de uma mulher, que caminha pela estrada das nossas vidas.
O vermelho com a agilidade de uma cobra, mostrou a força viril.
Outras gotas cairão...
O céu coroado, um arco iluminado.
Amanhã é pouco ante a eternidade.  

Oxumaré




OXUMARÉ




Os meus dias prosseguem...
Há muito para aprender, muitos mistérios a desvendar.
Nas águas de um rio a serpente dança.
Depois da chuva surge o arco-íris, onde começa?
Onde termina?
Arco sem fim, cores suaves uma paisagem criada pela natureza, a beleza.
Azul do céu, das estrelas, do mar...
Vermelho, sangue, vida, continuidade...
Nos olhos da serpente a realidade se faz presente, consciência de que haverá futuro.
Conquistas espirituais são riquezas eternas.  

Ossãe




A chuva cai-renascimento
O cheiro da terra molhada, preparada para a germinação.
A paisagem assume outra tonalidade.
Arvoredos mudam a roupa para receber a passarada.
A vegetação difere-se entre matas e campos.
Nas florestas surgem as árvores e nos campos as ervas, mas a cor predominante é verdejante.
Neste cenário de folhas e plantas, existe um poder:
-aquilo que nasce e que advém.
Folhas medicinais, segredo da natureza.
Aquele que detém o axé, a cura, o bem, vive em todas as folhas também.  

Ossãe




Lentamente a tarde despede-se.
Suas arremessadas pelo vento rolam pelo chão.
Um último aceno, um adeus.
_Aquilo que se foi:
Páginas amarelas de uma vida fazem parte do passado.
Já não buscam mais um lugar, um recanto, espalhou-se silenciosamente, despregaram-se dos ramos.
Houve tantos vendavais, chuvas de verão, frio, sol... provocando transformações.
Fortes e viçosas resistiram bravamente, cumpriram sua função na natureza.
Caíram vitoriosas porque em seus lugares outras folhas verdes brotarão.
Uma nova etapa ocorrerá - renovação.
A vida prossegue.
Mágoas, decepções ficaram para trás e são agora apenas lições.  

Ossãe



Uma ave pousou sobre uma árvore.
Peregrina... Talvez uma andorinha.
Branca... Talvez a pomba da paz.
A adivinhação é um Dom.
A natureza foi colorida pelas verdejantes matas.
Ervas, a cura para todas as enfermidades.
O mistério da chuva que cai fazendo brotar as sementes.
Segredo, a luz solar que alimenta as plantas, produzindo clorofila.
Esperança alada, em cada erva um ensinamento.
Em cada folha verde, a certeza da presença de um deus com o poder de cura e da adivinhação.  

Yemanjá




YEMANJÁ



A bruma cai como uma pluma, noite adentro...
Negros são os seus cabelos.
Outro dia...
Voltam às marés, o vento e as ondas descem e levantam o seu corpo.
Um sorriso estampado, brancas espumas.
Em suas veias salgadas os rios depositam o mel, tornando seu útero rico em minerais. Cintilam alvas pérolas ao redor de seus pés. De sua fronte prateada surge o espelho que reflete sua consciência maternal.
Volta a bruma, noite afora, recolhendo as águas, mar adentra.
O tempo retrata em suas areias as marcas da sua presença, conchinhas e tesouros deixados pela Rainha do Mar.´

Publicado Antologia Scortecci

Yemanjá


YEMANJÁ








O mar cantava... melodia suave.
Mistério , um odor de flores misturava-se à brisa leve.
Embriagava os sentidos , fazendo com que as nuvens baixassem sobre as águas.
Não sou pescador , nem marinheiro... Sou um pássaro tão pequeno e de paixão me contagiei.
Voei... na imensidão oceânica, a bela deusa avistei.
Yemanjá ,sou um beija- flor devoto do seu amor.

Yemanjá


YEMANJÁ







Águas salgadas, mãe da terra.
Ondas serenas, madrepérolas sobre o azul do mar.
Sua maternidade desperta o crepúsculo de novas gerações. Outras estações...
A fertilidade oceânica, onde caminhão outras naus.
Um vento calmo leva e traz a brisa marítima, um gesto de carinho, sua mão amiga.
Odores marinhos espalham ao mundo, o presente marcante e suave da majestade.
A chuva cai, gotas prateadas, reflexo do seu olhar.
O mar abre os braços, seu corpo um manto azulado.
No ventre renasce a esperança:
Na terra, as águas salgadas sempre irão reinar.

Rosa e Lua - Oxum e Oxóssi




OXUM
ROSA E LUA





A distância entre nós é imensurável.
Não sentes o meu perfume, minha delicada pele aveludada.
A beleza de minha cor rubra, encarnada?
Renasço todas as primaveras para morrer nos próximos invernos.
Mas a cada vida espero que me vejas, me sintas me toques.
Oh Lua! Branca e noturna me perdi em teu mistério.
Teus olhos sempre brilharam sobre mim, vestindo-me de prata como uma noiva.
Fico então a tua espera, esqueço os espinhos, à distância.
Domada pela paixão, rosa floresço pronta para a tua chegada.  

Poema ao entardecer para minha Mãe Oxum




POEMA AO ENTARDECER
PARA MINHA MÃE OXUM





Entardeceu... Morre mais um dia.
As aves recolhem-se aos ninhos, frágeis criatura.
Asas fechadas para os olhos da noite.
Findou uma tarde , mais um dia em minha vida.

Entardecer... Acabou um temporal, restou a chuva fina.
A esperança vem das águas .
Os rios retiram as vestes douradas, submissos a luz da lua.

Entardecer... Rumores e odores, saudades da infância...
Áureos tempos , botão em flor, menina faceira, uma estrela.

Entardeceu... As brincadeiras ficaram no passado .
Crianças carrego nos braços.
Algumas já sabem o que é ser mãe.
Mas , o meu coração permanece inocente, puro, cheio de amor, apesar das mágoas.