quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Obaluaê





OBALUAIÊ


Percorri os caminhos, longas jornadas, em busca de amenizar os sofrimentos.
Os meus, os seus e poucos entenderam.
A minha imagem lhes causava espanto, medo talvez.
As chagas consumiam o meu corpo, um lamento.
Esconder as feridas, cobrir os olhos com palhas.
De palha fiz o meu manto.
Sofri de solidão, de abandono maternal. Filho rejeitado sem legado.
Houve uma mãe, por ela fui criado; ela me amou mais do que a si própria
pois viu em mim o reflexo de sua beleza.
Por isso sou terra, mar e ar. Sou a natureza, o início e a duração.
Minhas raízes estão cobertas e a sua visão só poderá alcançá-las
quando o seu coração abrir-me as portas.  

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